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A OMS veio agora dizer que a carne processada e, provavelmente, as carnes vermelhas, são cancerígenas. Não deixa de ser curioso haver tanta consternação quando estudos de 2006 da FAO já afirmavam que 75% das doenças da sociedade actual se deviam ao consumo excessivo de proteínas de origem animal. Este estudo tem quase 10 anos. A única coisa que não diz expressamente é “cancro” ou “carne”, mas diz “doenças” e “proteína animal”, que é praticamente a mesma coisa.

Os portugueses acham, em geral, que comem carne com moderação. O que significa que comem (acham eles) pelo menos uma vez por dia carne. Mas se juntarem o pão com fiambre ao pequeno-almoço, o cozido do almoço e a empadinha ao lanche já lá vão 3 vezes e ainda são poucas. Comer com moderação não é um hábito português.

Também não deixa de ser curioso que um alimento (ou pseudo-alimento) que é considerado tão cancerígeno como o tabaco seja encarado com tanta leviandade. Se alguém viesse dizer que fuma com moderação toda a gente acharia que era ridículo e pensaria “mais cedo ou mais tarde é um cancro no pulmão”. Contudo, com a carne não tem problema, desde que seja com moderação.

O que este estudo veio fazer, no fundo, foi pôr as pessoas a comer mais frango. Já se acha, em geral, que as carnes brancas são melhores para a saúde, porque, dizem, têm menos gordura. O que não se sabe é que estão a comer a carne que mais hormonas tem, carregada de antibióticos, de animais que vivem nas condições mais deploráveis e nojentas que existem. Condições essas tão horrendas que os tornam doentes desde que nascem, a precisar de antibióticos para sobreviverem e hormonas para crescerem rápido.

E, de repente, há pessoas IMUNES A ANTIBIÓTICOS e não se sabe porquê. Aparece uma bactéria chamada multirresistente a matar pessoas em hospitais do nosso país. Não é na conchichina, é ao lado da nossa porta. São pessoas que, por tomarem antibióticos, ficam imunes aos tratamentos. São episódios que já aconteceram noutras partes do mundo, e  razão é sempre a mesma, embora ocultada: os antibióticos presentes em grandes quantidades na carne.

Todas estas hormonas e antibióticos só podem ser prejudiciais à saúde humana. E estão vocês a pensar: será que ela tem razão? Será que é mesmo assim?

Imaginem lá: uma pecuária gigante. Vão imediatamente pensar em 10 vaquinhas a pastar num prado com uma casinha ao fundo. Errado. Os animais são criados em espaços fechados, crescem dentro de cubículos onde não se conseguem mexer. Comem ração feita com soja transgénica (que, por sua vez, destruiu florestas para ser plantada). São animais com níveis de stress altíssimos (sim, os animais também têm stress). Adoecem e tomam antibióticos para se manterem vivos. Tomam medicamentos para engordarem mais rápido, crescerem mais rápido, para poderem ser mortos mais rápido e irem para o supermercado mais rápido. A carne é tão má, com a mistura de ração barata geneticamente modificada, medicamentos e falta de movimentos (atrofia muscular) que é necessário colocar mais químicos e corantes para que seja apetecível e se mantenha com uma cor “natural” até chegar a casa das pessoas. E notem: os químicos usados na carne na agricultura biológica são exactamente os mesmos, não se iludam.

Que história é essa de comer com moderação? Não há qualquer necessidade de comer carne, não existe qualquer fundamento para se continuar a alimentar esta indústria que não só é a que mais polui o planeta, a mais cruel e a que mata, lentamente, quase todos a quem alimenta.

Não tomem este meu post por panfletário ou o meu lado activista. Poderia tê-lo escrito com mais frieza e de forma mais científica e cautelosa, como quase sempre faço. Vejam o lado positivo, as alternativas, a saúde, energia e vitalidade de quem não come carne. Sobretudo pesquisem, leiam, informem-se mais. Os comentários que ouço sempre são baseados na experiência, são “eu sempre comi e ainda não morri”. Pois não, ainda não. Mas não só se está a preparar para passar várias horas no médico, vários dias a tomar comprimidos (muitos para a vida inteira), como está a contribuir para a devastação do planeta e para uma vida terrível e morte injustificada de milhões de animais por dia.

Pese a sua decisão. Partilhe com as suas pessoas mais próximas. Adopte um estilo de vida mais saudável. Abra essa cabeça!

  • http://observador.pt/2015/10/26/oms-carne-vermelha-processada-nao-pode-causar-cancro-humanos/
  • http://www.publico.pt/ciencia/noticia/oms-carne-processada-e-cancerigena-e-a-carne-vermelha-provavelmente-tambem-e-1712368
  • http://www.ionline.pt/419024#close
  • http://www.agronegocios.eu/noticias/oms-carne-processada-e-cancerigena-e-carne-vermelha-provavelmente-tambem/
  • http://www.dn.pt/portugal/interior/nutricionistas-congratulamse-com-decisao-da-oms-4855532.html
  • http://www.jornalmedico.pt/2015/10/26/dgs-consumo-de-carne-deve-ser-moderado-e-acompanhado-de-alimentos-protetores/
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10 comments

  1. Deixei de ler o que tu disseste a partir do momento que dizer que a carne faz tanto mal como o tabaco, so mostra que nem leste o artigo em questao. Na parte do Q&A está feita essa pergunta e a resposta do autor do estudo é não. Se queres usar informação para convencer as pessoas tudo bem. Mas usar propaganda enganosa é triste. Btw a carne branca é menos cancerigena que a soja. Deixa isso entrar na tua cabeça um segundo.

    1. Olá Ricardo, longe de mim comparar os efeitos da carne e do tabaco. O exemplo do tabaco surge apenas na questão da moderação, como poderia perfeitamente ter referido um outro exemplo.
      A soja é o alimento principal das galinhas, das vacas, porcos, etc.

    2. Não existe qualquer problema, continua a comer carne, afinal existe demasiada gente no planeta. O que me chateia imenso é ter cada vez de pagar mais impostos para financiar o SNS, quando só o utilizei nos últimos dez anos para obter atestados para renovar a carta de condução, e este cada vez gasta mais a tratar doenças provocadas por pura ignorância e estupidez.

  2. Iniciei o curso de medicina chinesa este ano, encontrei muitas pessoas que aparentemente são preocupadas com a alimentação. Ficaram surpreendidas por eu não comer carne, perguntaram-me o porque, falei de todas as razões que me levaram a essa decisão… Algumas até as mãos nos ouvidos puseram para não ouvirem. Outras disseram que adoravam ser como eu, mas todos os dias comem pão com fiambre. Não quero evangelizar ninguém e apenas falo da minha alimentação se me pedirem, mas penso que a grande maioria das pessoas prefere estar na ignorância. É a minha opinião. Mas cada um faz o que quer… Eu sinto-me bem assim, muito bem! Mas claro que me entristece ouvir as pessoas comentarem que as refeições devem ter sempre carne ou peixe. Pelo menos em minha casa já influenciei a minha mãe a comer mais legumes e a diminuir drasticamente a carne, diz até que se sente muito melhor assim. As pessoas acham que sabem muito sobre alimentação mas estão extremamente mal informadas, mas é normal visto que há imensos interesses por detrás. Foi um desabafo 🙂 Ps. adoro o blog! É uma grande inspiração para mim 🙂

    1. Muito obrigada pelo seu feedback, tem toda a razão! Mas são pessoas como a Bárbara que, aos poucos, mudam as mentalidades! Parabéns! E fico muito feliz por saber que o blog lhe é útil! Beijinhos!

  3. O que dizes acerca da carne e dos antibióticos é verdade sim senhora. Mas, não sei se sabes, existe carne de produção biológica – sem antibióticos e afins. E comer carnes vermelhas com moderação não causa cancro, e quando digo moderação, digo uma vez por semana ou menos. Eu li o estudo da OMS, deverias fazer o mesmo antes de escrever este post, pois misturar informação fidedigna com propaganda vegetariana não me parece bem.

    1. Agradeço o seu comentário. Se ler bem o meu texto verá que digo que a carne biológica tem exactamente os mesmos químicos da carne não BIO, e digo isto com conhecimento de causa. A carne biológica é uma falácia. Aconselho-a a ler os regulamentos da pecuária biológica e verá por si. 75% das doenças da sociedade ocidental são causadas por excesso de proteína animal. É preciso ver que interesses têm os estudos e cada um pensar pela sua cabeça e informar-se. Eu não como carne por uma razão puramente ética, mas não faço propaganda vegetariana. Cabe-me informar, através deste veículo, o melhor possível aqueles que me seguem. E depois cada um faz o que lhe apetecer, mas pelo menos fa-lo conscientemente.

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