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Cá ando a ambientar-me a isto de ser mãe. Notam que escrevo aqui cada vez menos mas ainda tenho umas coisas para dizer, umas receitas pendentes, umas considerações sobre o mundo e tal e uns produtos que testei e que adorei e que tenho que fazer review (nomeadamente as esponjas Konjac, estou completamente fã!). Está tudo aqui pendente. Mas vou confessar-vos que entre o meu trabalho, a fábrica do The Love Food e o meu bebé de 3 meses e meio resta muito pouco tempo para escrever. O meu iphone está com a memória cheia de fotos do meu bebé. Não as consigo apagar. O meu tempo é todo dedicado a ele. Nem quando fiquei grávida deixei de trabalhar, nem agora o vou fazer, por isso é um tempo completamente racionado para tudo o resto. Quero estar o tempo todo com ele e fico com saudades quando ele tem de ir dormir. Sou uma mãe muito pirosa.

Isto de ser mãe é muito bom. Toda a gente me dizia “aproveita para dormir que depois nunca mais vais dormir na vida”. Qual quê?! Dormimos todos muito bem, obrigada! Toda a gente me dizia que “a tua vida vai mudar completamente” com aquele ar de “já foste”. Mas não. Não mudou. Está tudo igual, só que melhor. Tudo com um bebé atrelado, mas sempre satisfeito e sorridente. Cheio de bochechas e refegos.

Trago-vos esta receita que partilho com muita felicidade porque acabei agora mesmo de a comer. É uma delícia, embora as fotos não façam muito jus à coisa. Desde que comecei o blog que fui assim. Não esperem fotos espectaculares de mim, eu tiro fotos àquilo que vou comer a seguir. Todas as fotos que tenho são tiradas antes do prato ir para a mesa. Sempre. Não faço cenários, atiro pozinhos e passo horas no Photoshop. Não tenho Photoshop e sou péssima com filtros. What you see is what you get. Preocupo-me imenso com o facto de todas as receitas funcionarem realmente. E admiro imenso as bloggers que passam tempo a tirar fotos e a editá-las, mas eu não consigo. Já tentei. Eu morro de fome. Durante os 5 mn que tiro fotos às minhas receitas a minha barriga ronca e a minha boca saliva. Tenho de soprar para tirar o fumo do arroz que ainda borbulha. Desculpem-me, sou uma blogger péssima. Mas sou a blogger que faz receitas com títulos maiores. Ganhei. Ahaha.

Estas pataniscas ficaram uma verdadeira delícia. O arroz também é maravilhoso! Aqui em casa acabaram os produtos refinados. Testei todas as marcas de arroz integral e descobri que fica maravilhoso se for feito malandrinho (nesta receita usei o da Cem Porcento). As pataniscas são óptimas e são muito fáceis e rápidas de fazer. Podem juntar outros legumes ou ervas se preferirem. Eu quis ficar dentro do mundo das pataniscas por isso só usei salsa e cebola, a dupla ganhadora.

Como é época de beldroegas juntei-as ao arroz e ficaram uma delícia. As beldroegas estão quase esquecidas em Portugal, infelizmente, mas são uma erva/arbusto  incrível! São usadas para combater as infecções do fígado, bexiga e rins. Cozidas são diuréticas e aumentam a secreção do leite materno (o meu bebé vai ficar contente), são antioxidantes, uma fonte de vitamina C, são anti-inflamatórias, antifúngicas e analgésicas. As folhas têm mais Ómega 3 do que alguns óleos de peixe, e ainda contêm cálcio, ferro, magnésio, potássio e zinco. Para uma erva daninha não está nada mal, hein?

NOTAS – Usem um fio de azeite quando forem “fritar” as pataniscas porque ficam muito melhores! Podem ser feitas sem azeite numa frigideira antiaderente mas vão parecer panquecas. Com o azeite são verdadeiras pataniscas!

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Para as pataniscas

  • 1 cebola cortada às rodelas muito fininhas
  • 1 ½ chávenas de farinha de grão de bico
  • 1 chávena de água
  • 1 pitada de sal grosso marinho
  • meio ramo de salsa picada (eu uso os talos amém, desde que bem picadinhos)
  • uma pitada de alho em pó
  • 1 colher de sopa de levedura de cerveja
  • ½ colher de chá de açafrão das índias

Junte tudo numa tigela e envolva bem.

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Em lume médio/alto aqueça um fio de azeite numa frigideira antiaderente. Coloque uma colher de sopa bem cheia do preparado e deixe fritar um pouco. A mistura é quase líquida mas endurece quando entra em contacto com o calor. Ajeite as cebolas dentro das pataniscas para não ficarem encavalitadas com a ajuda da colher. Deixe dourar de um lado e depois vire e deixe dourar. Se for preciso deite mais umas gotinhas de azeite.

Retire-as para um papel absorvente.


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Para o arroz malandrinho de tomate e beldroegas

  • 1 chávena/xícara de arroz integral (lave-o primeiro)
  • 3 chávenas/xícara de água
  • 1 cebola picada
  • 3 tomates cortados aos pedaços
  • sal grosso marinho
  • 2 chávenas de beldroegas (as folhas e alguns caules mais tenros)

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Refogue a cebola num pouco de azeite. Junte o tomate e o arroz e deixe refogar um pouco (5mn), mexendo frequentemente. Junte a água e tempere com sal. Tape e deixe cozinhar 15mn. Passado este tempo junte as beldroegas e envolva. Deixe cozinhar mais 10 mn ou até o arroz estar tenro. Se ficar com muita água deixe cozinhar em lume alto durante 5 mn.

Desligue, deixe descansar 5 mn e sirva com as pataniscas.

Bom proveito!

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8 comments

  1. Fiquei curiosa e vou experimentar esta receita. No meu quintal tem montes de beldroega! A receita das pataniscas leva levedura de cerveja mas a levedura de cerveja não deve ser cozinhada ou perde o seu teor de vitaminas. Podem esclarecer, por favor? Obrigada e…bom apetite!

    1. Olá Maria Lúcia, todos os ingredientes se alteram com a cozedura, a levedura de cerveja não é excepção. Mas continua nutritiva, e dá um sabor óptimo a estas pataniscas!

    1. Olá Maria João, pode encomendar no nosso site na loja online ou por email, para info@thelovefood.pt. Relativamente às receitas poderá ver todas neste blog, no índice pode ter uma ideia mais geral de todas que existem. Qualquer questão disponha! Obrigada!

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