Março 2014 archive

Charutos de couve com recheio agridoce e molho de tomate

Ou “como transformar um resto de arroz num banquete”?
Para as folhas de couve
1 couve portuguesa (ou outra que tenha as folhas largas) – usei 6 folhas
Corte as folhas com os talos rentes e ponha-as a cozer, com os talos para baixo, numa panela com água e sal. Guarde os restos dos talos que cortou para a sopa ou para um sumo verde. Deixe cozer durante 10 a 15 mn ou até estarem tenras. Verifique, sobretudo, se o talo está tenro – basta trespassá-lo com uma faca.

Escoe a água e reserve.

Para o recheio
1 chávena/xícara de arroz cozido (eu usei um resto de arroz de grelos, mas pode ser arroz branco, quinoa, trigo sarraceno, o que quiser, desde que já esteja cozido)
metade de uma maçã cortada aos pedacinhos ou ralada
2 cebolas cortadas fininhas
2 colheres de chá de vinagre de vinho (ou outro que tiver)
1 colher de chá de açúcar mascavado
Coloque a cebola numa panela com um fio de azeite e deixe refogar durante 20 mn ou até estar tenra.
No final, junte o vinagre e o açúcar e mexa até deixar de sentir o cheiro do vinagre (3 a 5 mn).
Envolva a cebolada no resto de arroz, junte a maçã e reserve.
Para o molho
1 cebola picada
1 dente de alho picado
5 tomates sumarentos
Uma pitada de sal
Nota – Use uma panela com uma base larga, para os charutos de couve caberem todos no fundo.
Refogue a cebola num fio de azeite. Quando começar a ficar translúcida junte o alho e deixe refogar mais  2 mn. Junte o tomate, tempere com o sal e envolva.
Tape de deixe cozinhar 15mn, mexendo de vez em quando. Se necessário junte um pouco de água.

Quando os tomates estiverem desfeitos, retire do lume. Passe o molho ligeiramente com a varinha mágica. Deve ficar cremoso mas não um puré (eu gosto que ele fique com alguma textura).

Tudo junto!
Com muito cuidado retire as folhas de couve e estique-as num prato ou na tábua.
Coloque uma colher de sopa bem cheia de recheio no centro e faça uma trouxa, enrolando primeiro a parte do caule, como indicam as imagens.
Para garantir que as trouxas não abrem, trespasse-as com um palito.
Leve a panela com o molho de tomate de novo ao fogão, em lume brando, e, com muito cuidado, junte as trouxas de couve e deixe apurar durante 10 mn, tapado.

Sirva com carinho!

Banana pão caramelizada com canela (sem açúcar, sem glúten)


Há quem lhe chama plátanos ou banana da terra, eu gosto de lhe chamar banana pão, como no Brasil. Dá a mesma energia do pão, mas é uma fruta, com todos os benefícios que isso tem. Eu adoro banana da terra! É um pequeno-almoço/café da manhã super completo! Com 75% de água, as bananas pão são riquíssimas em minerais como potássio e em Vitaminas, sobretudo A e C. Para além disso tem imensas fibras, que são essenciais para o trânsito intestinal.

Esta receita parece uma enorme goludice quando se come, mas são só coisas boas! E é incrivelmente fácil de fazer. Use-a também como acompanhamento, para dar um “punch” doce aos seus pratos. Porque a vida precisa sempre de um toque doce e tropicaliente!

Para duas pessoas
2 bananas pão cortadas a meio (como as minhas eram muito tortas e gordinhas, cortei-lhes a “barriga” lateral que se vê na fotografia)
1 pitada de canela
1 pitada de sal
azeite ou óleo de coco
uma colher de chá de geleia de arroz
Pré-aqueça o forno a 200ºC.
Coloque as bananas num tabuleiro coberto com papel vegetal. Polvilhe com canela, tempere com uma pitadinha de sal e regue com um fio fininho de azeite ou de óleo de coco. Deixe a geleia de arroz escorrer lentamente da colher e, à medida que ela escorre em fio, vá cobrindo (com parcimónia) as bananas.
Asse durante 20 a 30 mn ou até estarem tenras. A casca vai naturalmente soltar-se dos lados quando estiver pronta.
Delicie-se! 

Salada de trigo sarraceno com marinada de cogumelos, tomate cereja e hortelã

Neste “desafio” da PROPOSTA INDECENTE quero propor-vos alternativas mais saudáveis (mais igualmente pecaminosas) ao que comemos normalmente.  Preferir alimentos integrais em vez de refinados deve ser uma das escolhas principais. Os alimentos refinados são vazios de nutrientes. Eles perdem os seus nutrientes principais quando são refinados, ou seja, quando os comemos estamos a comer, basicamente, energia e açúcares. Mesmo que lhes injectem vitaminas, como nos cereais de pequeno-almoço. O nosso corpo quer nutrientes que sejam naturais, não sintetizados em laboratório. Certo?
O trigo sarraceno é uma alternativa maravilhosa ao arroz branco ou às massas. Cozinha-se como o arroz (1 parte de trigo para 2 de água), não precisa de demolha, só de um “escaldão”, e é delicioso. Para além disso, apesar de se chamar “trigo”, não tem glúten, maravilha das maravilhas!
Se não gostar do sabor, pode demolhar o trigo durante 24 horas e depois lavá-lo e cozinhá-lo. A demolha faz perder o sabor adstringente que o trigo pode ter.
O trigo sarraceno é bastante mentiroso. Chama-se trigo mas não é trigo. É conhecido como um cereal, mas não é um cereal. Na verdade, é da família das gramíneas, como as sementes de girassol. Pois é, o trigo sarraceno é a semente de um fruto! Também é chamado de “trigo mourisco”.

Pode ser usado como nesta receita, para substituir o arroz ou a massa, mas também pode ser assado, por exemplo, juntando à sua granola preferida. E assa no mesmo tempo que a aveia, no caso de fazer granola caseira. Também pode ser desfeito em farinha, e, nesse caso, dá para fazer pão, por exemplo ou aqueles crepes escuros que se comem na Normandia e nas Creperies Bretonnes (Crêpes au Sarrasin, sendo que Sarrasin = Sarraceno). Também é a base da Soba, os noodles de origem Japonesa, e é um dos alimentos tradicionais da Rússia, onde é comido como acompanhamento ou como mingau/papas (como as papas de aveia).


Porque é que bom comer trigo sarraceno? Porque:
       ajuda a reduzir o colesterol
       diminui o risco de desenvolver diabetes
       melhora os níveis de açúcar no sangue
       previne doenças cardiovasculares
       tem baixo índice glicémico
       a sua proteína é de alto valor biológico: contém todos os aminoácidos essenciais!
       tem manganésio, magnésio, entre outros minerais
       é rico em fibras!
       tem vitamina B
       tem ferro
       por isso é um bom aliado contra a anemia
       os seus flavonóides têm uma acção antioxidante
100 gr de trigo sarraceno
calorias
Proteínas (g)
Gorduras (g)
Hidratos de carbono (g)
Fibras (g)
em grão
343
13,2
3,4
71,5
10
em farinha
335
12,6
3,1
70,5
10





Agora vamos lá à receita que já vai longa conversa!
Esta salada marinada fica uma delícia com qualquer coisa. Se a deixar no frigorífico 24h vai criar ainda mais molho: não o descarte! É uma maravilha! Quando servir com o trigo sarraceno não se esqueça de o regar com esse molho, é o que vai dar o sabor especial a este prato!
Experimente! É uma delícia!
Para 1 pessoa
Para o trigo sarraceno:
½ chávena/xícara/cup de trigo sarraceno
1 chávena/xícara/cup de água
um fio de azeite
2 dentes de alho inteiros
sal marinho grosso (se usar)
Lave o trigo sarraceno – coloque-o numa peneira e passe-o por água corrente. Retire todo o excesso de água sacudindo a peneira.
Numa panela deite um fio de azeite, junte os dentes de alho inteiros (é só para dar sabor, não são para comer. Se os quiser comer parta-os aos pedacinhos antes de os colocar na panela) e deixe cozinhar 2 mn. Os alhos vão aromatizar o azeite.
Coloque o trigo sarraceno na panela e mexa. O trigo sarraceno deve sempre levar um escaldão. Deixe-o cozinhar 2 mn, mexendo com frequência.
Junte a água e mexa para tirar os grãos que ficaram agarrados aos fundo da panela. Adicione uma pitada de sal e deixe cozinhar até a água evaporar (12mn), com a tampa.
Quando a água tiver evaporado, desligue o lume/fogo e deixe repousar 5mn, tapado.
Retire da panela, coloque numa taça ou numa saladeira e deixe arrefecer. Não se esqueça de retirar os alhos.
Para os legumes
Uma mão cheia de cogumelos brancos/de Paris cortados em fatias finas (o mais fino que conseguir) – usei 5 ou 6 cogumelos (a minha mão é grande J)
1 mão cheia de tomates cereja cortados a meio
uma mão de folhas de hortelã ou manjericão, picadas
2 colheres de sopa de azeite
uma pitada de sal
uma pitada de pimenta preta/do reino
sumo de meio limão
1 colher de chá bem cheia de geleia de arroz
Numa tigela misture o azeite, o sumo de limão, a pimenta, o sal e a geleia de arroz.
Junte os tomates, os cogumelos e a hortelã e envolva bem.
Deixe repousar de 1 a 24 horas dentro do frigorífico/geladeira.
Para a salada
Misture tudo. Et voilà!

Uma proposta (in)decente


Eu não sei como é que vocês se alimentam. Eu estou aqui no meu cantinho em frente ao computador e vocês no vosso cantinho em frente ao vosso, sem vermos o que cada um está a fazer (e ainda bem, que o meu cabelo hoje acordou selvagem).
Confesso que só há pouco tempo é que me tenho rendido aos prazeres da comida saudável. Tem sido aos poucos porque acabo sempre por me desculpar a mim própria pela falta de tempo e de paciência.
Ser vegano é ser necessariamente mais saudável, mas só até certo ponto. Se eu me alimentar apenas de batatas fritas e coca-cola estou a ser vegana mas não estou a alimentar-me bem, certo?
Isto vai aos poucos, há hábitos difíceis de mudar, sobretudo por COMODISMO. “Ah, queria comprar fruta e legumes biológicos, mas a mercearia fica tão longe do meu sofá…”, “Ah, apetecia-me tanto um sumo fresco e natural mas só tenho este aqui de pacote…” Revêem-se nestes dilemas? Eu sim.
A minha proposta (in)decente para vocês é a seguinte: Bora lá mudar. Junta/os vai saber muito melhor. Eu vou-vos pondo a par dos meus vícios diabólicos e de opções saudáveis para os contornar. E vocês fazem o mesmo. E eu prometo que partilho tudo por aqui e via facebook.
E atenção, isto não é para ficarmos jeitosas/os até ao Verão para depois voltarmos ao mesmo! É mesmo para ficarmos gostosas/os por dentro e por fora por muito e muito tempo. Vale?

(Para que fique registado: eu devorava Coca-Cola, usava adoçante em tudo, comia comida processada, a maior parte das minhas refeições incluía um enlatado, era viciada em sumos Light, não tinha horas para comer e começava o dia com uma chávena enorme de café carregada com adoçante, entre muitas outras coisas que nem lembram ao Diabo. Em pouco tempo mudei imenso e o meu corpo também. São estas transformações de hábitos que eu quero partilhar convosco e que gostava muito que partilhassem comigo. Embarquem nesta viagem comigo, contem-me as vossas dicas e partilhem as vossas receitas!)
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Esparguete com molho cremoso de brócolos e avelãs tostadas

Mais uma receita deliciosa que se faz num instante, e usa os brócolos todos, talo e tudo! A maior parte das pessoas usa apenas os raminhos e deita fora os talos grossos dos brócolos e as folhas, o que é um verdadeiro crime! Os talos têm imenso sabor e podem ser aproveitados de várias maneiras. É nos talos dos legumes (dos brócolos, das couves) que encontra vários nutrientes, inclusive potássio, mais dos que nos ramitos ou nas folhas. A receita é comprida mas é muito fácil e rápida! Combina o cremoso do molho, que é leve e cheio de sabor, com o crocante dos brócolos e das avelãs tostadas… é um Carnaval na boca!
Para 2 pessoas
Esparguete integral para 2 pessoas
1 ramo de brócolos
1 cebola picada
2 dentes de alho aos pedaços
2 dentes de alho inteiros (só para saltear os brócolos)
100 ml de natas de soja (pode usar de aveia ou de arroz)
um punhado de avelãs partidas aos pedaços
Separe os raminhos de brócolos do caule principal.

Reserve os raminhos e corte o caule em pedaços uniformes.


Refogue a cebola num fio de azeite e junte o alho. Deixe cozinhar até  ficar translúcida.
Adicione os pedaços do talo e dois raminhos de brócolos e deixe suar durante 2 mn, mexendo frequentemente. Junte água até cobrir, tempere com sal e deixe cozinhar, tapado, durante 15 a 20 mn ou até estarem tenros. Verifique se a água não evapora entretanto, e junte mais água se for necessário. Contudo, não adicione muita para não ficar aguado (não se esqueça que ainda vamos juntar as natas) – deve ficar cremoso!
Junte as natas e envolva. Triture tudo com a varinha mágica. Rectifique os temperos e reserve.
Coloque água numa panela, tempere com sal e leve-a a ferver. Quando ferver junte os raminhos de brócolos que reservou e deixe-os cozinhar 5 a 7 mn. Devem ficar al dente!
Retire os brócolos com uma escumadeira e reserve.
Adicione o esparguete à água dos brócolos (já sem os brócolos). Deixe cozer 12 mn ou até estar al dente.
Aqueça uma frigideira e coloque as avelãs. Deixe-as tostar ligeiramente durante 1 a 2 mn. Retire e reserve.
Entretanto, só para dar mais um bocadinho de sabor, salteie os brócolos na frigideira quente (use a mesma frigideira que usou para tostar as avelãs) com 2 dentes de alho e um fio de azeite, em lume alto, durante 2 mn, sacudindo a frigideira frequentemente.
Misture o esparguete com o molho. Coloque o esparguete num prato e decore generosamente com os brócolos e com as avelãs tostadas.
Delicie-se! 
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