Sempre tive vontade de aprender a fazer as coisas que normalmente se compram feitas. Desde pickles, passando pelas azeitonas e pelo vinagre, do ketchup à mostarda e à maionese, do vinho às manteigas e aos queijos vegetais. O vinho já está feito e recomenda-se (na verdade é espumante. Só demos conta disso quando algumas das garrafas explodiram com o gás ;), o vinagre está feito e à espera para assentar, e as azeitonas já estão em água e estarão prontas em Maio. 

Quando me deparei com um frasco minúsculo de tahin com um preço que me fez pensar se teria ouro nos ingredientes, resolvi experimentar fazê-lo em casa. É incrivelmente simples, mas tem de ter um robot de cozinha para fazer o trabalho todo (e ele é que vai suar a sério: 10 mn a triturar non stop!). Mas vale mesmo a pena: o sabor é incrível! E é muito mais barato do que comprar já feito. Para além disso, dá aquela satisfação pessoal/orgulho que nos faz dizer “eu consegui fazer isto de raíz”!
Para 200 gr de tahin (ou tahini, ou tahine, como preferirem)
200 gr de sementes de sésamo biológicas (para 200 gr de tahin)
Azeite (opcional)


Torre as sementes de sésamo numa frigideira em lume baixo durante 10 mn ou até elas começarem a dourar ligeiramente e a soltar um aroma delicioso.
Retire-as do lume e deixe-as as arrefecer numa taça.
Quando estiverem mornas/frias, triture-as no processador durante 10mn. Quando as sementes começarem a colar-se nas paredes e a tentar fugir, abra a tampa do processador, empurre-as para baixo, e volte à carga. Deverá ter de repetir este procedimento algumas vezes.

Nos primeiros minutos vai-se começar a criar uma espécie de “farofa”. Continue a triturar até se transformar num creme. Se, passados 10 mn, as sementes ainda não estiverem em manteiga, junte azeite (ou óleo de sésamo) até ficar uma pasta cremosa (não junte mais de ¼ de chávena).
Coloque num frasco e leve ao frigorífico. Fácil, não?
Use nas receitas que preferir. Eu aconselho que faça o molho de tahin daqui (pode usar com qualquer coisa: legumes, salada, bifes de seitan, falafel, etc.) ou que adicione a um hummus caseirinho, que cai sempre bem com tudo.
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17 comments

  1. Olá 🙂
    Antes de mais parabéns pelo seu blog. Desde que me iniciei no vegetarianismo tenho-o visitado quase diariamente 🙂
    Hoje resolvi agradecer pelo blog, e aproveitar para perguntar, uma vez que falou nisso neste post, como se faz vinagre.

    Obrigada pelas fantásticas dicas, receitas, conselhos.

    Sónia Dionísio

    1. Olá Sónia,
      Muito obrigada pela sua mensagem! Que bom que o The Love Food a tem ajudado!
      Nós fizemos vinho caseiro, com as uvas que tínhamos (e que, afinal, eram uvas de espumante…), guardámos algumas garrafas de vinho para beber e cozinhar, e o resto ficou para fazermos vinagre. Para fazer vinagre, basta juntar vinagre já feito ao vinho caseiro, ou madre/mãe de vinagre. As porções dependem da quantidade que se quer. Para já, ainda não sei se resultou, está a descansar, com as garrafas tapadas com gaze. Mas o espumante resultou e muito bem, no ano novo foi um fartar vilanagem 😉
      Se a receita do vinagre e das azeitonas resultar bem, escreverei um post sobre isso, com muitos mais detalhes, para todos poderem experimentar fazer em casa. Depois do vinagre, virão os pickles, e por aí em diante!
      Um abraço!

  2. Olá, Maria! Que ótima receita! Realmente a pasta de sésamo é caríssima e as sementes até nem são… Vou tentar fazer! É necessário mesmo tostar as sementes?
    Beijinho

    1. Olá Lina! Muito obrigada! As sementes e os frutos secos (avelãs, nozes, amêndoas, etc. – que também são sementes em potência, uma vez que podem ser plantados) estão num estado chamado de “adormecimento”. Podem ser comidos assim, mas se os acordarmos desse estado de adormecimento, através do calor (tostando-os no forno ou na frigideira) ou pondo-os de molho no mínimo 3 horas, eles ficarão muito mais ricos em nutrientes. É aí que, então, se podem plantar e que é melhor comê-los. Para além disso, tostá-los dá um sabor muito mais intenso, por isso aconselho vivamente! Um abraço

  3. Olá Maria!

    Estou muito curiosa por experimentar esta receita!
    Qual a potência minima que deve ter o robot de cozinha para conseguir moer bem as sementes? Alguma marca/modelo que aconselhes?

    Obrigada e não pares de publicar receitas por favor porque têm sido um sucesso lá em casa 🙂

    Beijinhos,
    Filipa

    1. Olá Filipa!
      Obrigada! Que bom que o The Love Food tem sido uma ajuda!
      Não tenho nenhuma preferência por marcas ou por robot de cozinha, creio que qualquer um dá. Até aqueles trituradores pequenos que se encaixam na varinha mágica fazem um bom trabalho, o único problema desses é que têm pouco espaço, dão mais jeito para triturar alimentos em menores quantidades, como ervas aromáticas. Pessoalmente, tenho um robot de cozinha da Kenwood que o Pai Natal me ofereceu há muitos Natais atrás e que é muito (mesmo muito!) usado e nunca me falhou. Veio com milhares de acessórios (tritura, espreme citrinos, lamina e rala legumes, é batedeira, liquidificador , etc.), o que é óptimo! Idealmente teria um da KitchenAid porque são mesmo muito bons e duram a vida inteira, mas o Pai Natal não teve posses para isso 😉
      Beijinhos!

  4. Faço tahhine há muitos anos, mas utilizo o óleo de sésamo e, a julgar pela foto, creio que deixo as sementes tostarem um pouco menos do que você deixou. Fiquei curiosa para saber como é o sabor do tahine feito com o acréscimo de azeite.
    Demoro de 20 a 30 minutos para triturar/homogeneizar o tahine. Será que os eletrodomésticos são menos potentes aqui no Brasil?
    Beijinhos!

    1. Olá Déa Paulino, muito obrigada pela seu comentário! Eu deixei as sementes tostarem ligeiramente para o sabor ficar mais intenso e “fumado/defumado”. O sabor do azeite não é perceptível, porque o sabor do sésamo (gergelim) é muito forte. O meu tahine não ficou completamente liso, talvez se o deixasse triturar durante 20 a 30 mn ficasse completamente homogéneo. Tive receio que o meu robot de cozinha fizesse greve se trabalhasse tanto tempo seguido 😉 Mas fica muito bom mesmo assim, e fica igual (ou melhor), em termos de textura, aos que se compram aqui em Portugal.
      Um abraço!

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